Certificação Halal: entenda a sua importância e a participação do Brasil no mercado árabe

Certificação Halal: entenda a sua importância e a participação do Brasil no mercado árabe

Você já ouviu falar em produtos do tipo “Halal”? Na tradução do árabe para o português, “Halal” significa “lícito” ou “permitido”, sendo por vezes traduzido como “aceitável”. Logo, um produto que seja certificado “Halal” é um produto que é permitido ou aceitável de acordo com os valores da religião islâmica, sendo essa uma exigência dos países árabes ao importar alimentos

 

Halal atesta que um produto, geralmente alimentos, mas também cosméticos, medicamentos e outros bens, tenha sido produzido em conformidade com as leis islâmicas. Essa certificação abrange desde a seleção de ingredientes até o abate de animais, garantindo que não haja contaminação com substâncias proibidas, como álcool ou carne suína. Em países árabes e muçulmanos, o selo Halal é essencial: consumidores exigem sua presença, pois associam o certificado não apenas à observância religiosa, mas também à qualidade, segurança e rastreabilidade do produto. Uma pesquisa realizada entre consumidores em países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Malásia indicou que 95% verificam se o produto possui selo Halal, e 60% entendem que ele garante origem confiável e higiene.

Como funciona a Certificação Halal?

 

O processo de certificação Halal no Brasil é conduzido por entidades reconhecidas internacionalmente, como Cdial Halal, FAMBRAS Halal e Cibal Halal

 

As etapas são rigorosas e envolvem:

 

  • Solicitação formal: a empresa solicita avaliação da certificadora;
  • Auditoria completa da cadeia produtiva (“farm-to-fork”): análise de insumos, abate (Dhabiha), armazenamento, transporte e embalagem;
  • Equipe de auditoria: geralmente inclui auditor técnico e especialista religioso (sharia) para garantir aderência aos preceitos islâmicos;
  • Critérios rigorosos: incluem práticas de boas práticas de fabricação (BPF), controle de contaminação e conformidade com normas como ISO 22000, GSO e MUIS;
  • Emissão e validade: o certificado normalmente tem ciclo de até 3 anos com auditorias anuais e requer recertificação antes da expiração;
  • Auditorias periódicas: garantem a manutenção dos padrões Halal ao longo do tempo, garantindo que os produtos carreguem uma reputação de confiabilidade, higiene e conformidade religiosa.

 

Relação entre Brasil e países árabes

Em 2024, o Brasil registrou um recorde de US$23,68 bilhões em exportações para os países árabes, com superávit de US$13,50 bilhões. Os Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita lideraram as compras, sendo o agronegócio responsável por 76% dos embarques, com destaque para açúcar, frango, minério de ferro, milho e carne bovina.

 

O Brasil se mantém como o principal fornecedor de diversas commodities agrícolas, alimentos e minerais para a Liga Árabe, que é composta por 22 países, enquanto importa principalmente petróleo e fertilizantes. A relação Brasil–países árabes é sustentada por mais de um século de laços históricos e culturais, o que amplia o potencial de negócios para além do setor de alimentos. Entre os mercados com maior oportunidade de expansão, a Câmara destaca Egito, Argélia, Iraque e Líbia, seja pelo acordo com o Mercosul, estabilidade econômica ou alto poder de compra.

 

A recente elevação para 50% das tarifas sobre produtos brasileiros vendidos para os Estados Unidos abriu novas oportunidades comerciais para o Brasil no mercado árabe. Um estudo da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira identificou 13 produtos entre os mais exportados pelo Brasil aos EUA nos últimos cinco anos que podem ter suas vendas redirecionadas ou ampliadas para os 22 países da Liga Árabe. O levantamento considera a importação anual desses itens pelos árabes, os principais países compradores e potenciais novos destinos, avaliando também as tarifas praticadas. Em muitos casos, as alíquotas árabes são significativamente menores que as norte-americanas, como no café verde, que entra sem tarifas nos países árabes, mas agora paga 50% nos EUA.

 

Entre os produtos com maior potencial estão o café verde e a carne bovina. Em 2024, o Brasil exportou US$513,83 milhões em café não torrado para o mercado árabe e US$1,896 bilhão para os EUA. A Câmara vê espaço para ampliar a presença especialmente na Arábia Saudita, Kuwait e Argélia. Já a carne bovina brasileira gerou US$1,211 bilhão em exportações aos árabes, ante US$885 milhões para os EUA, com destaque para Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

 

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