A possibilidade de o Canadá se tornar o primeiro “membro associado” da União Europeia (UE) abriu uma nova discussão sobre o futuro das relações comerciais internacionais. A proposta foi apresentada em setembro de 2026 pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como uma forma de elevar a relação entre os dois parceiros a um novo nível. O conceito, porém, ainda está em negociação: “membro associado” não é uma categoria prevista atualmente nos tratados da UE, e os detalhes jurídicos e comerciais ainda precisam ser definidos.
Como funciona a União Europeia?
A União Europeia é um bloco econômico e político formado atualmente por 27 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Chipre, Chéquia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia e Suécia. O bloco possui um mercado único, no qual mercadorias, serviços, capitais e pessoas podem circular com menos barreiras internas. A UE também funciona como uma união aduaneira, aplicando tarifas comuns às importações provenientes de países de fora do bloco.
No comércio internacional, a UE atua como um grande bloco único, o que amplia seu poder de negociação com outros mercados. Atualmente, o cenário europeu é marcado pela busca por maior segurança econômica, diversificação de fornecedores e fortalecimento de cadeias consideradas estratégicas, como energia, tecnologia, minerais críticos e defesa. Ao mesmo tempo, o bloco enfrenta desafios relacionados às relações comerciais com grandes parceiros, especialmente China e Estados Unidos.
Onde o Canadá entra nessa relação?
O Canadá já possui uma relação comercial bastante próxima com a Europa. As duas partes são conectadas pelo CETA (Acordo Econômico e Comercial Abrangente), aplicado provisoriamente desde 2017. Em 2025, o comércio bilateral de bens e serviços entre Canadá e UE ultrapassou os 130 bilhões de euros. A UE é o segundo maior parceiro comercial do Canadá, atrás apenas dos Estados Unidos.
A economia canadense possui forte participação em setores de energia, minerais, metais, produtos agrícolas, veículos, equipamentos industriais, produtos florestais e serviços. Em 2025, as exportações canadenses de bens e serviços somaram aproximadamente US$1,016 trilhão. Energia foi a principal categoria de exportação, com US$162 bilhões, seguida por produtos metálicos e minerais, veículos e autopeças, bens de consumo e serviços comerciais.
Os Estados Unidos continuam sendo, de longe, o principal parceiro comercial do Canadá. Em 2025, o país respondeu por aproximadamente US$683 bilhões das exportações canadenses de bens e serviços. A União Europeia, entretanto, ganhou importância: as exportações canadenses para o bloco cresceram 16,4% em 2025, chegando a US$67,7 bilhões.
O que significa ser “membro associado”?
A proposta não significa que o Canadá passaria a ser um Estado-membro da UE. A adesão plena ao bloco é juridicamente destinada a Estados europeus, conforme o artigo 49 do Tratado da União Europeia.
O modelo de associação ainda precisa ser construído, mas a ideia é criar uma relação mais profunda do que um simples acordo comercial. Entre as áreas que podem ganhar maior integração estão comércio, minerais críticos, energia, tecnologia, inteligência artificial, defesa, pesquisa e cadeias industriais. O Canadá já participa de iniciativas europeias, como o Horizon Europe e projetos de mobilidade militar, e em 2026 tornou-se o primeiro país não europeu a participar do instrumento europeu SAFE, voltado a compras conjuntas de defesa.
Para o comércio internacional, uma associação mais profunda poderia significar maior integração das cadeias de suprimentos Canadá–Europa, novas oportunidades de investimento e maior segurança no fornecimento de matérias-primas estratégicas. Para as empresas, entretanto, o impacto concreto dependerá dos termos que serão negociados. O Canadá não teria automaticamente os mesmos direitos de um Estado-membro, especialmente participação nas instituições e poder de decisão sobre as regras da UE.
Fontes:

